Movimento dos Trabalhadores do Campo lança portal na internet para solidariedade internacional

A interação pode ser realizada em cinco idiomas, com missão de compartilhar experiências de projetos e facilitar a disseminação de informações para fora do Brasil.

Por Mayrá Lima

Em 2016, uma série de mudanças nas políticas públicas foi percebida por movimentos sociais. O golpe contra o governo da então presidente Dilma Rousseff abriu o questionamento acerca da democracia brasileira. Ao mesmo tempo, a alteração política possibilitou a aprovação de legislações que mitigaram o orçamento de programas sociais e culminou na eleição de Bolsonaro à presidência. É diante deste contexto que o Movimento dos Trabalhadores/as do Campo (MTC) vê a necessidade da construção de formas de solidariedade mais amplas, que envolvam a comunidade internacional.

O portal “Amigos do MTC”(http://internacional.mtcbrasil.org.br/)chega com o foco de trabalhar a solidariedade internacional o apoio a projetos educacionais, de justiça econômica e desenvolvimento sustentável,agrocombustíveis, energias renováveis, política climática, justiça social, agroecologia, gênero e empoderamento feminino, democratização, questões relacionadas com pequenos agricultores e conflitos por terra.

“Esse processo se iniciou na Alemanha, com o convite do KOBRA (Kooperation Brasilien), uma rede que reúne diversas organizações de cooperação internacional. Em 2017, o MTC foi convidado para debater violações de direitos humanos e a retomada do cenário da fome no Brasil. No ano seguinte, voltamos a participar de encontros parecidos com a FIAN internacional e a Frente Internacional Brasileira contra o Golpe (FIBRA), que inclui militantes também oriundos da Europa e das Américas. Essa grande rede conseguiu articular intervenções internacionais de denúncia de retrocessos democráticos no Brasil e da prisão ilegal de Lula”, relata Adriano Ferreira, da coordenação do MTC.

O portal pode ser acessado nas línguas Inglesa, Alemã, Holandesa, Francesa e Espanhola. Consolida a comunicação entre coletivos internacionais para compartilhamento de informações, organização de eventos, intercâmbio e publicações sobre as ações do MTC no Brasil.

De acordo com Ana Isa, brasileira que está na Holanda e faz parte do Coletivo Amsterdam contra o Golpe e pela Democracia no Brasil, a iniciativa possibilita conhecer as dificuldades e desafios que enfrentados pelos camponeses. “Solidarizamo-nos com as ações do MTC em defesa desses camponeses, que particularmente nestes tempos sombrios de um governo de ultradireita agravado pela crise sanitária, têm enfrentado dificuldades enormes para reunir os recursos necessários a sua defesa e sobrevivência. Por isso entendemos que todo apoio é bem vindo e pode fazer uma grande diferença na vida das pessoas com que se ocupa o movimento”, explicou.

Curso Internacional

Se a formação de redes de solidariedade internacional foi a tarefa do MTC, a articulação mais ampla através da Via Campesina identificou a necessidade de formação política unitária. Tratam-se principalmente de imigrantes brasileiros espalhados em mais de 50 países do mundo, preocupados com o agravamento da crise política, econômica e social do Brasil.

O curso Militância Internacional Brasileira foi realizado de forma online através do Centro de Formação Paulo Freire e do Centro de Formação Irmã Dorothy, mantidos pelo Movimento dos Trabalhadores Sem Terra e Movimento dos Trabalhadores/as do Campo respectivamente. Segundo Jaime Amorim, coordenador da Via Campesina internacional, é preciso formar militantes com capacidade de intervenção tanto localmente, quanto globalmente.

Foto de Jaime Amorim

“Essa capacidade de interpretar a realidade para intervir e, ao mesmo tempo, entender que nós não vamos superar a crise apenas fazendo ação local é que motivou a realização do curso. Compreender que é preciso organizar a luta internacional, que precisamos de militantes aptos a entender a crise para além do seu próprio local são tarefas que nos colocamos diante de uma realidade brasileira de combate ao bolsonarismo, ao neoliberalismo e construção de governos populares”, disse Amorim.

As aulas aconteceram entre os meses de maio e junho de 2021 com programa que envolveu História, Filosofia, Economia Política, Teoria da Organização Política e princípios de Solidariedade Internacional.  O curso contou com a colaboração da Via Campesina, FIBRA e do Coletivo Amsterdã.

Você pode assistir aulas através do canal do Fibra no youtube  https://www.youtube.com/watch?v=GCXHNo7hWko

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