CPT realiza visita in loco na área onde reside ambientalista do MTC ameaçada por fazendeiro no norte de Minas

PorAssessoria do MTC Brasil

A visita aconteceu na última segunda-feira(4). Onde, uma comitiva formada por diversas organizações, articulado pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). O encontro foi na área de reserva ambiental, localizado no Sitio Barreiro Azul, zonal rural de Varzelândia, norte do estado de Minas Gerais.

Uma das participantes do evento e representante da CPT, Irma Etelvina Moreira de Arruda, que conversou com nossa equipe e disse, saíram de lá fortalecidas e animadas, pois, o encontro foi um gesto de solidariedade ao casal, que sentiram que não estão só nessa luta. Luta em defesa do seu pedaço de terra e ao mesmo tempo, proteção ambiental do espaço. .

O lugar vem sendo, ultimamente, motivo de conflito entre o fazendeiro, José Pereira, tem ameaçado a militante, Maria Izabel, e seu companheiro, Claisso. O casal resiste há muitos anos no local e hoje, mesmo correndo risco, colocam as suas vidas em risco para impedir não só que fiquem sem moradia mas o latifundiário não derrube as alvores e coloque o gado dentro de uma reserva que compõe o espaço.

Para se resguardarem, devido as ameaças, Izabel e seu companheiro, registaram um boletim de ocorrência na Delegacia de Polícia Civil de Varzelândia, já que está ficando muito complica, pois o seu José e seus filhos construíram uma cerca dentro do terreno que de posse da ambientalista.

De acordo com o parecer da advogada de defesa, Sarah Abreu, os conflitos sobre esse caso parecem longe de terminar. E ressalta que não resta outra alternativa a não ser aguardar a decisão do juiz responsável pelo processo. Segundo ela, o que a justiça pode determinar de imediato é que o fazendeiro pare com a construção da cerca delimita a sua propriedade. Advogada adiantou ainda que nesse caso, só tem uma saída para resolver o problema, é a partilha.

Porém, a pergunta que não quer calar é: aguardar, até quando? Será que vão esperar que ocorra derramamento de sangue para justiça acordar?

Do encontro, de acordo com Etelvina, foi tirado como encaminhamento buscar apoio e unir enquanto organizações, tentar proteção para o casal e voltar lá com pelo menos um representante do direto humano. CRDH da cidade de Montes claros. Ficou de marcar mais uma reunião com maior números de pessoas. Como proposta também, procurar fortalecer o grupo de 12 mulheres com relação aos cuidados naturais, tirados da própria natureza.

Diante da complexidade do assunto e para tentar enxergar no cenário nacional como está essa questão da violência envolvendo trabalhadores rurais como essa que a Izabel está vivenciando na pele, a assessoria do MTC Brasil conversou com Ruben Siqueira (CPT/BA) Que adiantou que em breve, (18/04) será divulgado o relatório anual de conflitos, do qual ele adiantou, não com dados numéricos mais analises. Disse que os conflitos sempre existiram, mas, no atual governo, tudo ficou mais escancarado. Ruben complementou ainda que, além do agronegócio como principal protagonista dos conflitos gerados no campo, a novidade é o crescimento das mineradoras e empreendimentos energéticos(energia eólicas e solar), tanto no litoral como na Serra Geral.

Para concluir, segue o depoimento da militante(Izabel) na íntegra:

“ No primeiro momento foi muito difícil! O emocional muito abalado. Foi uma tortura psicológica. Estamos com acompanhamento com um homeopata. Isso tem nos ajudado. DEPOIS de ter recebido algumas visitas, nós estamos MELHOR. E fechou ontem com a presença da irmã Etelvina representando a CPT e Gláucia assessora do dep. Rogério Correia e Beatriz Serqueira . Também representante do MTC .” (FRANCISCO, M. I.S)

Quaisquer novas informações que forem surgindo atualizaremos.

Relembrando o caso

A trabalhadora rural e coordenadora nacional do MTC Minas, Maria Isabel, registrou um boletim de ocorrência, denunciando o fazendeiro, José Pereira.

Onde a vítima relatou a primeira ameaça que aconteceu no dia 12 de Jan/2022, quando o fazendeiro esteve com a polícia militar no local sem a presença de Maria Izabel nem a de seu esposo Clailson. Na sequência, após 10 dias voltou a repetir (22 de janeiro), com a presença da polícia do meio ambiente. Pois segundo informações, além de defender suas terras Isabel coloca a vida em risco para defender parte do cerrado local.

É importante ressaltar que, após o ocorrido Dona Izabel tem ganhado o apoio de instituições serias, que denunciam a violência no campo e em vários seguimentos. Como Comissão Pastoral da Terra(CPT), O Movimento dos Trabalhadores e trabalhadoras do Campo(MTC). Segundo o coordenador do MTC, Adriano Ferreira, é uma obrigação de cada entidade organizada, numa situação como oferecer suporte aos seus militantes.

Quaisquer novas informações que forem surgindo atualizaremos.

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